Porque é que as pontes têm folgas no meio?
Aquela grelha metálica que faz o carro dar um toc-toc a meio do tabuleiro não é um defeito nem uma emenda mal feita. É uma folga deixada de propósito, e o número que a explica é pequeno de mais para se acreditar nele: o aço estica doze milionésimos do seu comprimento por cada grau que aquece.
Doze milionésimos não é nada. Só que um tabuleiro de cem metros, entre uma noite de Janeiro a cinco graus negativos e uma tarde de Agosto com o metal ao sol a quarenta, atravessa quarenta e cinco graus de diferença — e cem metros vezes doze milionésimos vezes quarenta e cinco dá cinco centímetros e meio. A ponte tem mesmo de ter onde os pôr.
Quando não tem, o material resolve o assunto sozinho e mal. Nas linhas de comboio chama-se-lhe encurvadura térmica: o carril, preso nas duas pontas e sem espaço para crescer, empena para o lado num S que se vê da cabeça do comboio. É por isso que em dias de calor extremo há circulação reduzida — não é o motor que não aguenta, é a via que ficou comprida de mais para o sítio onde está.
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